Mulheres não gostam de sexo ou homens não gostam de mulheres?

Antes de começar esse texto, gostaria de dizer que ele é voltado para relações entre mulheres e homens. E gostaria também de deixar duas frases em destaque:

  • Mulher “dá” quando ela quiser. Ou seja, pode ser no primeiro encontro. Ou no décimo. Ou nunca.
  • Ele só quer transar com você? Cai fora.

Como assim?

Por que estou escrevendo estas coisas? Bem, tenho visto muitos textos circulando por aí enfatizando que mulheres que se relacionam afetiva e sexualmente com homens podem “dar” no primeiro encontro sim. Outros dizem que é de boa que os homens só queiram sexo, se isso for o que a mulher quiser também. Que mulheres também sentem tesão. Etc. Não vou citar nenhum texto específico, porque meu intuito é falar de um problema generalizado, que é algo muito bem explicado nesse texto aqui: “A falácia da liberação sexual e as novas formas de dominação”.

Vejam bem, o fato de que mulher também sente tesão nem deveria estar em jogo. Os problemas que alguns seres humanos vivenciam hoje em dia no âmbito sexual não acontecem por essa questão, em geral (embora exista quem acredite que sim). A maior parte das pessoas – do sexo masculino ou feminino – sente desejos sexuais, se excita e possui a capacidade de alcançar orgasmos. No entanto, construímos narrativas sexuais diferentes para cada sexo. Basicamente, é aquele clichê: o homem tem que ser o garanhão e a mulher uma “dama recatada”. Essa pobreza de nuances deixa todo mundo no prejuízo – principalmente as mulheres, claro. Os homens podem sofrer com problemas eréteis, ejaculação precoce (uma sexóloga me disse uma vez, em uma conversa informal, que a maioria desses problemas é de origem psicológica) e uma pressão tremenda para corresponder a papéis que eles não querem ou conseguem. Mas, ainda assim, se na sociedade como um todo o poder é deles, todos os espaços acabam reproduzindo isso, o que engloba relacionamentos amorosos/sexuais. Logo, as mulheres, por estarem na parte inferior da hierarquia de gênero, estão infinitamente mais suscetíveis a abusos e violências.

(Sem contar que a ideia de “sexo”, no geral, é baseada principalmente no pênis-penetrando-a-vagina, o que torna a vivência sexual de todo mundo pouco ampla).

Se relacionar com homens é um constante risco

O sexo, na vida da mulher, é algo vivenciado de forma muito mais coercitiva e amedrontadora. Tipo, ela não pode transar, porque vai ser chamada de vadia, ao mesmo tempo em que tem que lidar, o tempo todo, com homens forçando a barra para transar com ela – ás vezes, os mesmos que vão chamá-la de vadia depois. É um ciclo confuso. E tem o fato de que ela é induzida a acreditar que o próprio valor vem da sua aparência e da sua capacidade de despertar desejo sexual, embora ela não queira ser resumida apenas a um corpo. E os discursos de liberação sexual buscam desconstruir toda a “repressão” da mulher como se ela fosse ~naturalmente~ reprimida, e não a sociedade que tentasse controlar o corpo dela (mas esquecem de falar da violência do homem). Daí surge um outro paradigma, que é a mulher que faz muito sexo mesmo, que não está nem aí. Porém, ainda assim, a problematização da violência masculina continua de lado e todas as mulheres, independente do que façam, continuam vulneráveis à situações desagradáveis e até mesmo criminosas (infelizmente são muitos os homens que acham que existe diferença entre sexo sem consentimento e estupro, por exemplo).

Quando falo de violência, não me refiro apenas a sexo forçado e outros atos explicitamente violentos. Estou me referindo também a violência psicológica, que se manifesta por meio de mulheres sendo chantageadas, isoladas e difamadas por conta de conduta sexual, mulheres transando sem querer transar, incitação à baixa autoestima feminina, controle e manipulação de corpos e comportamentos das mulheres, entre outras coisas.

Homens são ensinados a objetificar as mulheres

Vamos lá: a socialização do homem envolve a objetificação da mulher e o esvaziamento do subjetivo dela. Muitos homens, por exemplo, conseguem transar com mulheres que desprezam apenas pelo simples prazer de “conquistar” um novo “território”. Não vamos fingir que isso não acontece. A mulher, para ele, é uma coisa, e quanto mais coisas um homem conquista, mais poderoso se sente. Então quando um homem quer só sexo com uma mulher, eu aconselho que ela mantenha os olhos bem abertos.

“Deixa de ser moralista, aff”, você pode estar pensando. Eu já pensei assim também. É muito comum que misturem conservadorismo e críticas à desumanização da mulher em um mesmo balaio, para que a gente se sinta constrangida, chata e uncool e deixe esse papo de querer ser respeitada pra lá (a forma que as críticas contra a pornografia são tratadas são um belo exemplo disso).

Só que, hoje em dia, eu não acredito em “só sexo” (acho que nunca acreditei, na verdade). Com isso, não quero dizer que todas as relações devam se transformar em casamento-felizes-para-sempre. Por favor, né? Quero dizer que quando um homem diz querer só sexo com uma mulher e não se interessa pela maravilhosa pessoa que existe ao redor da vagina dela, isso é sim objetificação. Isso é resumir a mulher a um buraco de prazer (pra ele) cuja opinião ou pensamento não faz diferença. Como postei no Twitter um dia desses:

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Tanto que não são poucos os relatos de mulheres que praticam sexo casual e afins e depois são maltratadas e ignoradas na rua pelos rapazes com quem se relacionaram. Oras, a função delas foi cumprida, o que mais querem? Amizade? Respeito? Isso é algo que só os bróders e as minas-perfeitas-que-não-transam-cagam-falam-andam-opinam (ou seja, nenhuma) merecem, né?

Então, analisando todo esse cenário, é perfeitamente entendível porque muitas mulheres ainda tenham receio de “transar no primeiro encontro”. Uma simples trepadinha pode transformar uma mina na mártir-da-liberação-sexual-feminina e, gente, que preguiça desse alarde, né? Correr o risco de fazer um sexo que nem vale a pena e ainda ter que aturar isso se transformando em um grande embate ideológico cheio de ataques e defesas é de deixar qualquer uma sem vontade alguma de tirar a roupa. Muito drama pra pouca trama.

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“–Como que uma simples trepadinha pode render tanta dor de cabeça? Aff”

Acho que precisamos parar de pressionar as mulheres a transarem mais – ou menos – e começar a pensar nos homens. Por que eles separam mulheres em categorias? Por que eles acreditam que uma mulher só deve ser respeitada se “merecer”? O que é “merecer”, aliás? Por que dizem que não querem rótulos mas anseiam em rotular certas relações como “só sexo” já de cara? Por que eles tratam mulheres como objetos sexuais e não como seres humanas completas, capazes e interessantes? Por que eles riem e se gabam de histórias em que fizeram mal às mulheres (vide o caso recente do nojento do Alexandre Frota relatando praticamente um estupro em rede nacional)?

Ás vezes vejo discursos “empoderadores” incitando mulheres a transarem com quem elas quiserem e, bem, me parece uma forma de jogá-las aos leões, principalmente quando isso é dito para mulheres muito jovens (ainda mais se formos considerar que o número de predadores voando em cima de jovens é altíssimo. ATENÇÃO CARAS, usem a experiência de vocês pra construir algo que preste e não para manipular garotas inexperientes, vocês são ridículos).

Precisamos, primeiramente, conversar sobre consentimento, cuidado e respeito. Precisamos definir bem o que é “querer” e o que é “estar com a autoestima baixa e topar algo que não quer porque é o que tem pra hoje”. Precisamos definir que chantagem e coerção não são a mesma coisa que amor e desejo. Precisamos explicar que existem homens que rotulam mulheres de “putas” para que elas assimilem isso e fiquem com a autoestima ferida e estejam sempre disponíveis sexualmente. Ou fazem elogios frágeis e dizem que elas “são especiais” ou “não são como as outras” para que elas não se aproximem de mais ninguém e se sintam gratas por serem “valorizadas”.

É tudo muito mais complicado do que parece. Não é “frigidez”. Não é recato. Não é moralismo. É uma sociedade baseada em heterossexualidade compulsória e misoginia (e racismo, mas isso já entra em pontos que não me sinto apropriada para abordar), e que pratica um gaslighting sinistro contra a mulher, dizendo que ela precisa de homem, mas ela não pode transar, mas ela tem que satisfazer um homem, mas o corpo dela é sujo e imundo e fica cada vez mais sujo e imundo quando ela faz sexo, mas ela precisa fazer sexo, mas não muito, mas não pouco, mas não sem pênis. E o senso comum prega a existência de uma mulher infantilizada, sem pelos, maquiada, “sexy”, com a vagina cheirando a flores, com seios perfeitos, sem estrias, celulite, espinhas. É algo tão fora da realidade, que muitos homens se frustram com a mulher real e chegam a ter nojo dela.

Como eu já disse, é um tanto quanto confuso.

Então tá proibido transar?

Meu intuito aqui não é ser “anti-sexo”, mas discutir a forma que mulheres e homens se relacionam amorosa/sexualmente dentro de um regime machista. Muita mulher acha que, com o tempo, vai “mudar” o cara e fazer ele tratar ela direito e coisas do tipo. Temos que ser realistas: isso não acontece e não vai acontecer. E nem tinha que ser assim, porque mulher alguma deveria ter que provar ser “merecedora” de respeito. Os homens é que precisam começar a enxergá-las como reais e dignas de respeito em qualquer situação.

Para a segurança das mulheres, é preciso discutir sobre comportamentos masculinos recorrentes e danosos. Porque somos praticamente inseridas, sem conhecimento e sem consentimento, em relações desiguais e sádicas.

Logo, não estou contra o sexo, mas a favor do sexo bom de verdade, oras. Ou será utópico demais?

   “I believe in the radical possibilities of pleasure, babe”

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141 comentários sobre “Mulheres não gostam de sexo ou homens não gostam de mulheres?

    • Acho que essa é “a” reflexão da minha geração! Espero que consigamos ajudar um pouco as mulheres das próximas. Há uma falsa simetria entre o que uma mulher pensa quando diz que só quer sexo e quando um homem assim o faz. É meio que:

      Mulher = só sexo = não quero relacionamento. Ponto. É algo mais literal mesmo. Vamos trepar gostoso e ser o mais feliz possível por uma noite. Yeeeee

      Homem = só sexo = eu não te vejo como uma pessoa. Respeito nível: depósito de porra. É bizarro.

      Outra é a questão do “ok, tenho consciência disso, mas mesmo assim encaro o jogo”. Ok, mas cê sabe que você vai para o round com as regras do jogo te fodendo, né? Acho que na minha geração – talvez por causa desse papo de “você é diferente”, “sou a garota cool, relax, super sexual” – rolava de criarmos uma expectativa irreal de que a gente poderia ganhar. Algo como: “É impossível que esse cara me abale, porque eu tb só quero sexo, ué”. Nãoooo, mano! Até sexo casual com homem escroto te fode a vida legal. É ausência de respeito por sua condição de ser humano, não é apenas ausência de interesse amoroso. E pior que eu acreditei muito tempo nisso =/

  1. Como é bom saber que tudo o que você sempre pensou (desde muito novinha) não é só “coisa da sua cabeça”, outras pessoas também pensam como você. Estou emocionada. Texto perfeito!!!

    • Estou descobrindo várias e várias mulheres que tinham sentimentos parecidos guardados….. Ruim, claro, mas bom que estejamos falando sobre! ;~ Abraços.

  2. Não quero que me entendam como contrario as ideias do texto, porém vejo nele uma estigmatização do ser masculino, As vezes usar termos como a maioria, permita que homens como eu leiam o texto e se identifiquem e alterem certos padrões comportamentais.

      • Sim, Deneir, é o ser masculino que é estigmatizado pela sociedade,sabe? São vcs, machinhos, que tem o corpo exposto e objetificado em qualquer porcaria de comercial e publicidade, são vcs q têm a sexualidade explorada pra satisfazer os desejos das mulheres, são os meninos que são hipersexualizados ainda na infância e atacados diariamente por cantadas nojentas qdo andam nas ruas. São vcs q são educados pra terem uma autoestima frágil o suficiente pra serem mais facilmente controlados pelas mulheres. São vcs q tem as vontades, desejos e o prazer ignorados qdo transam com uma mulher.

        Em vez de simplesmente botar a mãozinha na consciência e se autoavaliar pra ver se repete os comportamentos nocivos mencionados no texto, não, o grandioso e especial Deneir prefere criticar o tom da escrita da autora, pq feriu o ego gigantesco dele.

      • “Lá vem o macho se achando especial.” – gratuito.
        Você só deu mais força à crítica dele (que por sinal era levíssima, ele criticou apenas a forma e não o conteúdo), colocando todos os “machos” no mesmo balaio.
        “Homens como eu” – sim, foi ele quem leu o texto, queria que ele particularizasse com o quê? Quais seriam as palavras “aprovadas”?
        Por último, já adiantando uma possível resposta: ninguém precisa elogiar pra só depois criticar (como eu vi gente dizer aqui nos comentários).

      • Rapaz… É tanta besteira que eu leio que não dá nem vontade de discutir pra tentar apoiar algo de uma pessoa tão insensata. A falácia de pessoas como você e tantas outras que só menosprezam qualquer atitude masculina com o máximo de preconceito e discurso de ódio, como muitas fizeram com o cidadão aí encima, só me dá náusea e vontade de não cruzar com esse tipo de personalidade prepotente nunca mais. E digo muito mais do que “caras como eu”, não, eu não achei meu pinto no lixo pra transar com uma mulher que tem o mínimo de respeito pelo sexo oposto. Se você pretende se relacionar com um parceiro respeitável e que você tenha prazer em dar pra ele, no mínimo trate o sexo dele com mais cautela. Pense nisso… “feminismo radical e seu poder autodestrutivo: as mulheres vão terminar sozinhas” acho que vou escrever um livro. Só pra fechar, se na sua mente passou de me responder que as mulheres serão melhores sozinhas mesmo, não precisa nem dar reply, você é lunática. Abraço de longe pq tenho receio dessa galera.

      • “Rapaz, é tanta besteira que leio que não me aguento, leio tudo e ainda deixo um comentário no final”

        Hahahaha. Esses comments de gente que nem você são hilários. Vocês são cheio de adjetivações, mas fracos em argumentos sólidos embasado em algum recorte de realidade, fracos em análise, etc. Ninguém perguntou onde você achou seu pinto e se você transaria com sei lá quem. Esse não é o ponto, não é um texto sobre você, seu umbigo, suas vontades. Você não importa. Cresce e aprende a ler, ler de verdade. Só consigo ler um monte de projeções que você está fazendo de você mesmo em outras pessoas. Será que somos nós que vamos acabar sozinhas ou caras que nem você, que não conseguem lidar com mulheres se articulando entre elas? Hm.

        Nenhum abraço, nem de longe nem de perto, cara. Hehe.

  3. Concordo com você e adorei a coisa do “mártir da liberação sexual feminina”!
    Por muito tempo achei (e confesso que às vezes ainda me ocorre) que havia algo de errado comigo, que eu não tinha desejo suficiente ou que tinha algum bloqueio sexual. E olha que nunca tive parceiros to tipo “machão”, diria até que são caras bastante carinhosos e espiritualizados. Mas quando o assunto chega lá em baixo, meu bem, não tem deus que acuda. Esses padrões da sexualidade masculina estão tão tão arraigados que é muito difícil primeiro que o cara se torne consciente, e depois que se empenhe em transformar sua atitude. Se não se empenhar, a vida vai tratar do assunto e sabe lá quantas vidas serão necessárias pra isso!!!! hahahahah…
    Não sei seu nome mas agradeço pelo texto que me fez parecer menos sozinha!
    E mesmo se for utópico demais, eu tô contigo e por enquanto prefiro acreditar nessa utopia! 🙂

  4. Caramba, vejo que você tem vários problemas psicológicos e pelo visto vai continuar atraindo homens desse tipinho. Sai dessa, fia! Lembre-se que 60% das mulheres nunca tiveram um orgasmo e essa repressão / omissão vêm as vezes mais das mães do que dos pais. A infância é a fase mais importante. Uma reflexão pouco profunda ditando a “verdade”, e demasiadamente sexista talvez não ajude muito. Mas seguimos na luta. Grato pela sua ideia!

    • Oi? Que luta? Você sequer tem empatia com as milhares de mulheres se identificando com o texto internet afora, sequer pensou nos pontos abordados. Deve só ter ficado com o ego ferido por perceber que talvez não seja um cara tão legal quanto pensa…

      • Artur, “seguimos na luta” acusando mulheres de serem loucas e de terem problemas psicológicos, sempre q elas apontarem a forma desumana com que são tratadas pelos homens. Vc obviamente não constrói porra de luta nenhuma com mulheres, e sim contra nós.

        Se são mães q reprimem as filhas sexualmente é pq os PAIS estão ausentes, se fazem de mortos e jamais vão tratar de questões sobre educação sexual com suas filhas! Aliás, macho educando mina adolescente deve ser a parada mais grotesca do inferno! Quero nem imaginar! Melhor q fiquem longe mesmo, valeu! As mães pelo menos sabem dos perigos e riscos de deixar uma filha se envolver com qualquer portador de pênis q seja.

        “Seguimos na luta” nós, mulheres. Vc pode ajudar ficando calado e revendo sua postura misógina e escrota.

      • Aliás, uma vivência pessoal: minha mãe me reprimiu sim sexualmente, justamente, por saber q esse mundo é um lugar mto escroto pra mulher, justamente por ter vivido e visto ela mesma muita humilhação e objetificação por parte de homens… E, coitada, ela nem é feminista. Tudo o q ela fez foi pelo meu bem, pra me proteger. Certa estava ela. Transar com homem é sempre dor de cabeça, E O PIOR, não vale a pena! A maioria não sabe nem como funciona o corpo feminino, ficam focados no próprio pinto. Cuzões, apenas melhorem!

  5. “Precisamos definir bem o que é ‘querer’ e o que é ‘estar com a autoestima baixa e topar algo que não quer porque é o que tem pra hoje’.” Esse trecho me lembrou do livro que li recentemente: “100 escovadas antes de ir para a cama” que consiste no diário de uma garota de 16 anos que passa por várias situações desse tipo, chega a ser bem revoltante em alguns momentos.

    Sobre a pornografia, acho que o problema é a forma na qual ela se apresenta. Hoje li um artigo sobre a Hilda Hilst, escritora brasileira, e sua trilogia pornográfica. Alguém por acaso já leu?

    • Aliás, uma vivência pessoal: minha mãe me reprimiu sim sexualmente, justamente, por saber q esse mundo é um lugar mto escroto pra mulher, justamente por ter vivido ela mesma muita humilhação e objetificação por parte de homens… E, coitada, ela nem é feminista. Tudo o q ela fez foi pelo meu bem, pra me proteger.

      • Iguanalunar, entendo que a intenção da sua mãe não era ruim, mas a solução está longe de ser a repreensão sexual da mulher, isso não é proteger, é anular uma parte importante do seu ser. Nós mulheres e homens, temos que entender que liberdade sexual não significa fazer sexo adoidado, mas sim, fazer sexo respeitando a vontade e desejos dos envolvidos. Não importa se o sexo é casual, se é só sexo, ainda assim são pessoas (como bem diz o texto). E pra sintetizar, liberdade sexual para mim, é poder escolher não fazer sexo ou então, fazer sexo gostoso com quem você estiver afim e não ser julgada por isso, é ter um momento de reciprocidade, satisfazendo e sendo satisfeita. E nesses pontos, é mais difícil para a mulher, por motivos já mencionados nessa página.

        Acho muito importante como mulher debater esse assunto quando possível e queria agradecer ao blog por esse espaço. Além disso, é sempre válido procurar informações sobre a sexualidade feminina. Aqui vai um link bem informativo: http://drauziovarella.com.br/sexualidade/orgasmo-feminino/

  6. É difícil ser homem e poder opinar sobre o assunto sem ser automaticamente visto com olhos tortos. Simpatizo com a causa, não digo que faço parte dela porque também não posso ocupar este lugar, devido a minha construção social de homem. Mas ao mesmo tempo, como o amigo já tentou falar ali em cima, é difícil quando os homens que tentam apoiar a causa são colocados na mesma categoria que os gerais, ao meu ver isso também é uma forma de generalização da figura masculina, até daqueles que apoiam a causa feminista. Mais uma vez, acredito que se a proposta é de diálogo, acho que não acontece muito quando todos os homens são automaticamente colocados na categoria de sabotadores ou mau-intencionados. Temo também, pelas possíveis respostas que serão dadas a esse meu comentário, porque mesmo reconhecendo a minha incapacidade – como homem – de poder opinar sobre um assunto que diz respeito totalmente às mulheres, também me sinto tocado ao ser colocado numa categoria ao qual tanto desprezo(o papel de homem conquistador e objetificador), isso pra mim soa como um maniqueísmo simplificado que nem sempre de prova real. Por isso eu acho importante ressaltar as exceções.

    • Mas os homens que vieram aqui não vieram apoiar nada, só chorar que são muito fofos e especiais. Nem sempre se prova real? Pode até ser. Mas se prova bastante. Se as estatísticas não cobrem tudo que acontece, se existem coisas indenunciáveis, pq sequer tem como categorizar a denúncia (já tentou denunciar stalker, por exemplo? nunca nem deve ter passado por isso), não acho que cabe a você dizer o que acha importante ou não. Pois eu acho importante focarmos nos inúmeros casos de violência física e psicológica, nas inúmeras mulheres inferiorizadas e com problemas de autoestima. Fico feliz por pessoas que tentem ser seres humanos melhores, claro, mas não vou aqui ficar dando estrelinha. Você fez um comentário enorme para falar dos pobres homens injustiçados e sequer manifestou empatia pelo que relatei que as mulheres passam (e são muitas as mulheres me relatando não só aqui, mas em outros meios, que se identificam com o texto). Percebe?

      • Minha intenção não era fazer um comentário sobre seu comentário, na verdade, nem li todos os comentários antes de postar o meu, já que era uma referência ao texto principal. De qualquer forma, eu não ter falado sobre o que você falou não quer dizer que eu nunca tenha pensado nisso ou que não tenha dado importância sobre esse fator. Não fiz um comentário para falar dos pobres homens, fiz um comentário sobre a generalização que atinge tanto mulheres, como a autora do texto muito bem explicou, como ao mesmo tempo atinge alguns homens que tentam se diferenciar daqueles que eles não gostam. Não é dar estrelinha, mas se um homem, que até então é visto sob uma perspectiva tão negativa, se dispõe a ser diferente, que haja um reconhecimento disso, já que existe a proposta de diálogo(é claro que existem os grupos que não estão nem aí para a reação dos homens, mas aí já não é uma proposta de diálogo, e não se encaixa no que estamos discutindo aqui). O reconhecimento dos problemas citados por você é real(como o caso do stalker, citado por você), porque são problemas que existem e ignorá-los não irá resolver, mas existem duas partes envolvidas aqui, a dos homens e a das mulheres, e se há uma proposta de conscientização dos homens, que ela realmente se faça presente, visto que generalizá-los e coloca-los todos na mesma categoria de “homem mau” parece ser uma abordagem que logo a princípio já categoriza.

  7. Valeu pelo texto, é claro que não tenho propriedade para falar sobre o machismo, não sob o ponto de vista de uma mulher. Por mais simpático ao feminismo que eu possa ser, sinto a necessidade de ler e ouvir de quem vivencia na pele as práticas e efeitos da cultura machista. muito agradecido…

  8. Me identifico muito com o texto, tanto que já passei por diversas vezes pela a objetificação, e até a difamação por ter dado alguns foras em uns e outros. Ótimo texto, adorei cada palavra.

  9. Não entendo porque é tão difícil pra homem entender que quando se fala que homens estupram mulheres, homens violentam mulheres, homens odeiam mulheres, etc se diz de homens enquanto classe política, ou seja, que é assim que todo homem (sim, até vocês que dizem nemtodoomiiiiii) foi socializado.
    Isso significa que todo homem faz isso? não, mas todo homem é ensinado a ser isso (e infelizmente muitos – muitos mesmo – homens o são).
    Para mim, um cara que lê um texto desses e acha mais relevante comentar que nemtodoomi é assim do que se mostrar empático com as minas tem o ego enorme sim e não consegue se tocar que nem todo texto escrito no mundo é referente a ele.
    O que cês querem? Que os textos digam “os homens (menos o denair e o anonin que são super gente boa) …”? Nos poupem ne.
    Caso se importassem tanto com o feminismo a primeira coisa que vocês deveriam fazer é se conscientizar que tem privilégios sim, que são socializados como todos os outros homens sim e a partir daí irem tentando se desfazer de atitudes e pensamento já naturalizados e não requisitarem voz em espaços e discussões que sequer são direcionados a vocês (um bom exercício por exemplo é se tocar que existem coisas no mundo que não gravitam ao seu redor).

  10. Excelente texto! Pensei nisso esses dias. E como é inconsciente pensarmos duas vezes antes de transar no primeiro encontro (ou em qualquer ocasião que temos vontade) considerando o pensamento de outrem. É um belo de um saco isso! E você desabafou o que todas nós estávamos há tempos segurando.

  11. Falou bastante, coisa que não é novidade no universo feminino. Muito blá blá blá pra depois não conseguir ficar sem o tão malvado e insensível homem.
    Mulheres feministas.
    homens machistas.
    Cada um defende seu terreno porém,cedo ou tarde, um acaba dependendo do outro. Alias, homem extremamente compreensivel, carinhoso é prestativo leva é chifre na cabeça pois, as mesmas feministas que clamam por compreensão, acabam querendo o bom e velho cafajeste.

    • AI MEU DEUS, lá vem o machinho comentar que as feministas preferem os cafajestes. Me desculpa, Sr. Masculino sim, mas isso é discurso de quem não consegue superar um chifre com dignidade.

      • Parece que tem cara que só precisa de uma desculpa pra poder canalizar a misoginia constante e latente que corre dentro dele. Mulher é traída o tempo todo, até pq monogamia é algo que pra homem nunca teve a mesma validade que pra mulher, né? E não se vê mulheres por aí, causando danos aos homens de forma sistemática. Mas homem acha que pode “virar” um cafajeste ou fazer coisas muito, muito piores, pq “mulher gosta é disso mesmo” ou “merece”. Cada uma.

  12. Pingback: Feminism - vinisimoes | Pearltrees

  13. Texto maravilhoso, me vi muitas vezes nele, vou reler com calma e tentar digerir tudo. Depois que aprendi a pular os comentários desses machos nojentos intromeditos, ficou mais fácil ler textos feministas.

  14. Sexista, apenas isso.

    A começar por: ”Ele só quer transar com você? Cai fora”.
    E é claro se a mulher quiser só transar aí nós homens devemos aceitar isso sem cair fora… porque se cairmos forma estaremos sendo machistas.

    Quanta merda

  15. Gostaria de deixar alguns pontos que me chamaram atenção.
    1- Seu texto é demasiadamente unilateral. Você parece não valorizar que toda forma de dominação passa por um contrato psicológico entre partes e que as mesmas tiram benefícios. Quero dizer com isso que homens e mulheres se valem do machismo, o protegem e propagam. O lugar de objeto de desejo pode ser tão interessante quanto a liberdade de agir, como diria Freud ao falar do narcisismo.
    2- Seguindo o ponto anterior, quero levantar certos aspectos importantes dessa dinâmica atravessada pelo machismo. É verdade que que o valor da mulher, na nossa cultura, vem sendo historicamente atrelado à sua sexualidade/maternidade. Ela é o prêmio, a meta a ser alcançada, a terra a ser conquistada e usufruída. Contudo, do nosso lado, não nos vemos como os super-heróis das revistas, que conquistam com facilidade seus objetivos. Somos fracos, medrosos e inseguros. A mulher não é somente o prêmio, mas principalmente a grande juíza de toda nossa existência. Por muitas vezes, para nós, ela é a a tirana a quem devemos agradar para não perder nossas cabeças.
    3- Se consegui mostrar o medo que temos das mulheres, não fica difícil entender o quão infantil nos vemos. E mesmo com medo somos orientados a tomar a ação, temos que tomar a iniciativa, sermos charmosos e interessantes, afff. O que acontece? Muitos aprendem as regras dessa corte, outros se marginalizam. Dos últimos, alguns serão para sempre o Ross de Friends, acanhado, atrapalhado, incapaz. Outros, serão como a persona do “Frota” ou do “Catra”, desvalorizando seus demônios e agindo de forma a diminuí-lo. Muitas vezes podendo gerar atos de extrema violência. Não estou endossando essa violência de maneira alguma, só alertando que o contrato vigente gera sofrimento e benefícios para ambos os lados e, se quisermos uma mudança significativa, devemos começar a pensar de forma ampla, entendendo como cada lado se enxerga e ao outro, sem favoritismos ou vitimizações.
    4- O último assunto que quero levantar fala sobre o sexo em si. Fazê-lo ou não? Para isso devemos ser pragmáticos sem sermos generalistas. Querer estar com alguém “apenas” por sexo não é um benefício masculino, nem um problema a priori. Tudo depende da clareza do contrato que ambos se propõem a participar. Se uma das partes quer algo que a outra não quer, é necessário diálogo. Os contratos não são fixos, são feitos e refeitos a cada momento, mas é preciso que exista clareza e respeito. Agora, SEXO NÃO É PARA O HOMEM. Sexo é para ambos. É uma troca de carinhos onde ambos buscam seu prazer e o do outro. Porém, é importante que ambos entendam sua sexualidade, saiba o que gosta e como gosta. Fale, ouça, receba, faça….O sexo pertence a todos que dele participam. Você não se objetifica quando transa com alguém, mas quando se torna um objeto inanimado, deixando apenas que transem com você. Por isso, não precisa ter medo de dar na primeira noite, ou não dar nunca, de acordo com seu desejo, sua libido. Se for por auto-repeito, respeite sua sexualidade, não a imagem que querem que tenha.
    Desculpe ser tão extenso.

    • Você está sendo falsamente simétrico e não se atentando para diferenças essenciais na construção do que é “ser homem” e “ser mulher”. Nunca que vai ser ~sofrimento igual pra ambas as partes~. E rotular pensamentos e análises – que estão baseadas em vivências e conhecimento teórico – não só minhas, mas de milhares de mulheres é pouco empático. O lugar de objeto não é bom, principalmente quando é o único lugar que querem te dar. Lógico que sexo não é para o homem, mas ele age como se fosse. Acorda, garoto.

      • Em primeiro lugar, achei sua resposta demasiadamente agressiva. Gosto de participar de discussões maduras, onde todos os lados se respeitam. Acho que o “garoto” aqui, não sou eu.

        Segundo, não acredito nas diferenças “essenciais”, não sou um essencialista. Acredito que o que é de mais humano é nossa capacidade de transformação. Assim, “ser homem” ou “ser mulher” seria uma construção histórica que, apesar de nos atravessar de forma inegável, é transformável. “ser homem” e “ser mulher”, não é a mesma coisa quando comparamos com a idade média, nem quando comparamos com cada um de nós.

        Terceiro, nunca disse que “o sofrimento é igual para ambas as partes”, pelo contrário, acredito que o sofrimento é uma condição existencial e que cada um de nós inventa sua própria forma de transformá-lo em vida. Dessa forma, entendo que cada um “sofra de forma diferente”, mesmo em face de fatores iguais.

        Quarto, meu texto não é empático, sobre isso não discordo. Mas aprendi que certas opiniões não precisam sê-lo para terem seu valor em um debate tão importante. Contudo, afirmo que tudo o que escrevi também se baseia em vivencias e conhecimento teórico.

        Por último, quero reforçar que minha discordância maior vem da vitimização das mulheres. Sim, pode ser que a imagem da mulher em diversos veículos midiáticos seja sexualizado, mas acredito que somos capazes de nos apropriar dos movimentos sociais de maneiras novas e inventivas, resistindo aos lugares que nos querem e criando outros. isso, na minha opinião, não vem de uma visão vitimista, mas de um empoderamento necessário para todos quebrarmos esses moldes e caminharmos para um coletivo que valorize as diferenças de cada um da mesma forma que o que nos une.

        Espero que esse seja uma forma cordial de trocarmos idéias. Não sou seu inimigo, acredito em um lugar no futuro onde essas atribuições sobre homens e mulheres serão completamente incompreensíveis. Espero trocarmos mais.

        Obs: até 22:30 estarei acordado, não precisa se preocupar com isso. 🙂

      • Todo mundo acha agressiva uma mulher que tá na zuera ou não faz questão de ficar cheia de dedos pra discordar. Não vejo homens assertivos sendo tachados de agressivos o tempo todo, já pensou sobre isso? Não sou uma essencialista tbém, mas é fato notório que existem diferenças gritantes na socialização sofrida por homens e mulheres. Homem é ensinado a dominar e a mulher a ser submissa, falando assim, bem resumidamente. E isso gera resultados bem tristes, principalmente pras mulheres. Veja aqui nesta imagem um exemplo: https://www.facebook.com/revolucaovulva/photos/pb.594992383944038.-2207520000.1425522535./628210510622225/?type=1&theater

        Falar em vitimização é uma tremenda falta de empatia, o que já tá explícito no seu comentário como um todo, por achar que é só todo mundo dar as mãos e cavalgar em um unicórnio rosa que os problemas serão resolvidos. Não é vitimismo botar pra jogo que rola um monte de merda mesmo e a gente não quer que role mais. É preciso que grupos minoritários detectem padrões de violências, abusos e situações ruins em geral que sofrem, até pras pessoas perceberem que não passam por certas coisas sozinhas. Olha o tanto de mulher aqui (e que veio falar comigo em outros meios também) se identificando com o texto, pq será?

    • Lá vem macho branco nos ensinar o feminismo. É unilateral mesmo porque o resto do mundo gira em torno de vocês, querem ser os centros das atenções aqui também?

  16. Mulheres se identificando, mascus chorando, e outras mulheres defendendo esses mascus. Olha, eu até entendo a “dor” do macho; o medo de perder o poder, de estar no foco, onde o prazer é voltado para ele (mesmo que inconsciente este medo); mas mulheres os defendendo, isso eu realmente não aceito. Pode me chamar de intolerante, mas não engulo essa submissão, essa briga com as próprias mulheres que lutam por elas para que elas também tenham direitos, dignidade, que não sofram violência. Enfim, no mais acabei de conhecer o blog e achei o máximo!!!!

  17. Pelo texto, percebo que você provavelmente teve relação com todos os homens da terra e os conheceu também, a ponto de generalizar os seus argumentos. Enquanto você que a vitimização é o que move o mundo ou que sua “ideologia” (se é que podemos chamar disso) e o centro do universo, você vai viver em mundo pobre intelectualmente e deficiente em novas abordagens. Sobre se a mulher deve dar ou não no primeiro encontro, isso é uma decisão que só interessa a ela. Passar bem moça do país das maravilhas.

      • Chora por isso? por esse texto? kkkkkkkkk…só te digo uma coisa, respostas assim reforçam ainda mais os meus argumentos. O melhor disso é saber que 99% das mulheres não compartilham com esse texto.

      • Sinto em lhe dizer, mas com certeza eu tenho muito mais contato com mulheres do que você (falo com milhares mesmo, por mil meios) e a aceitação a esse texto está assim, enorme. Mesmo entre não-feministas. Não acho que todo mundo tem que concordar comigo não, mas tô falando de algo que tá rolando. Então para de querer criar uma realidade paralela na sua cabeça e pensa na realidade. Do que você tem medo? Você não se garante em um mundo em que as mulheres se empoderem, repensem situações e tenham mais autoestima, é isso? No que mulheres problematizando a própria vivência sexual afeta tanto vocês? Vai vendo….

      • Repare, Danillo, que o texto fala apenas de como ocorrem as relações sexuais e afetivas entre homens e mulheres dentro do nosso regime machista milenar. O texto explica pq é nocivo às mulheres se relacionar com homens, que não nos respeitam e não nos enxergam como iguais. Quem incluiu o termo e o conceito de vitimismo aí foi vc mesmo. Ou vc tá vendo pelo em ovo ou o texto te doeu tanto q vc quis criticá-lo pura e simplesmente.

  18. Não é fácil agradar homens. Não é fácil agradar mulheres…
    Mesmo assim, me permito emitir minha opinião, já que me foi permitido entrar, e ler o texto.

    Sim, vivo em um mundo machista. Com pessoas machistas. Pessoas de modo geral, e não apenas homens. Não sei bem onde isso começou, mas não faremos nenhum ensaio histórico para descobrir a origem dos regimes opressores que existem no planeta. O fato é que eles existem. E o machismo está presente, e muito presente em nosso meio.
    Sim, como todas as pessoas, fui orientado-educado-condicionado para ser heterossexual e machista. Como todos os garotos e todas as garotas que conheci em toda minha vida. E claro, isso interfere não apenas no “comportamento sexual” de todos nós, como tem fomentado (e, sim, para alguns justificado) a violência contra mulher. Nos levando a aceitar até mesmo culpar as vítimas dessa violência.
    Mas, afinal, não classifico tudo isso (de forma bem genérica mesmo) de misoginia. Claro, existem casos de. Mas a relação, em termos gerais (e esse é apenas uma opinião exclusivamente pessoal), não se trata de ódio à tudo que seja, digamos, “endêmico” ao universo feminino. Pelo contrário (e eu preciso concordar com o Ulisses Carvalho), mesmo com essa relação de forças sempre muito tensa, e injusta, eu reconheço, nós homens também não conseguimos nos orientar sem a visão de mundo das mulheres. E muitos de nós não apenas reconhece isso, como sabe que não evoluímos o suficiente para relega-las a “meros objetos”. Ao menos não em todas as áreas de nossas vidas. E isso é confuso para nós também. Confusão, possivelmente, causada por nossa formação-orientação-condicionamento, no qual nossas mães, mulheres, mesmo constantemente manifestando desconforto-desgosto-infelicidade-revolta pelo regime machista que a oprime em vários, ou todos, os aspectos, ainda assim nos educa para sermos machistas (meninos e meninas).
    Como resolver esse desagradável imbróglio então? Acredito que ampliar, de forma aberta e clara, o debate, de fato contribua. Mas um texto em um blog, com alguns comentários (alguns raivosos, inclusive), não eliminará o problema.
    Temos sim, que “discutir sobre comportamento masculino recorrentes e danosos”. Mas temos que discutir, também sobre comportamentos femininos. E não estou aqui culpando a vítima pela violência que sofre. Estou dizendo que temos um problema que, por mais que cause mais dores às mulheres, é uma doença de todos nós. E todos nós contribuímos para que ele se mantenha e/ou aprofunde.
    Acho, também, que negar as enormes fragilidades que esse regime causa em nós, homens, e toda sorte de frustrações, distúrbios, insatisfação e, por fim, “dores” também, com as quais somos obrigados a conviver, por sermos homens exatamente nesse regime (e estou sendo completamente generalista aqui também, não tratando dos casos patológicos, que também são crias do sistema), pode até gerar discussões acaloradas e comentários odiosos, mas em nada contribui para encontrarmos uma saída.
    Por fim, sobre fazer, ou não fazer sexo. Mesmo repetindo o que já disseram aqui, deve haver vontade e verdade. Se no primeiro, ou no último encontro, tanto faz, contando que seja quando os envolvidos realmente quiserem.
    Quando alguém diz “só sexo” essa pessoa pode ter a intenção de manifestar o que ficou claro como sendo o senso comum aqui, de ser sem nenhum tipo de envolvimento. Como o exemplo dado do “cara que nem reconhece a garota na rua, depois”. E isso é sim, violento para ela. E podem acreditar, muito vazio para a maioria dos caras.
    Mas a pessoa pode estar se referindo ao “pacote de sentimentos” que normalmente tentam colocar no “combo”. Como namoro, planos de vida longa juntos, e coisas assim. E, outra vez, minha opinião pessoal, não devemos misturar muito sexo com amor, para não reduzir o amor (sobre isso, uma boa opinião pode ser encontrada aqui: http://www.deriva-pi.blogspot.com.br/2014/08/um-pouco-sobre-o-amor.html). Mas isso não elimina toda gama de relação saudável, e interessante que possa existir. Particularmente eu prefiro fazer sexo com amigas. Com quem eu possa conversar sobre outras coisas, além do próprio sexo. Com quem possa rir sobre tudo, ou nada. Com quem divida uma cerveja. Exatamente como xs amigxs devem ser. Só que com algumas rola sexo. E sexo bom, e muito divertido, para nós. E, como não é uma coisa que exista apenas no campo das ideias, não creio que seja utópico, então.

    • Non to creno que vc tá culpando mães por machismo no mundo.
      Não tô nem aí se querem fazer sexo com amor, sem, muito, pouco, com a amiga, o amigo, o colega de trabalho. Não cabe a mim nem a você impor isso. Meu ponto é: respeito sempre, sempre, sempre, em qualquer situação. Respeito mesmo, enxergando a outra pessoa ali, de forma inteira. É simples. E não sei se você leu o texto todo, mas uma das problematizações é justamente o que é “realmente querer”. No mais, não ficou claro pra mim qual o seu ponto afinal.

      • Leitura superficial, a sua. Superficial e buscando apenas pontos que pudesse contestar de forma a parecer completamente segura, a ponto de não carecer de nenhuma outra opinião que não seja exatamente igual à sua. O que é uma pena, pois empobrece muito qualquer debate. Se bem que, ao que parece não é essa a intenção aqui, certo. Nesse acaso eu entendo, respeito e até peço desculpas por me meter onde não fui chamado, nem deveria.
        Mas enquanto não tenho essa confirmação, e já que estou aqui novamente, vamos lá:
        Primeiro, não. Eu não estou culpando nossas mães pelo machismo. Por isso eu “culpei” (já que é necessário) a todos nós homens e mulheres, que contribuímos para a manutenção do sistema. Está dito, textualmente isso.
        O que atribui como culpa à nossas mães, foi a confusão na qual nós somos levados a viver, devido à forma que todos somos educados-orientados-condicionados. E, como várias de vocês afirmaram antes de mim, esse trabalho sempre cabe às mães, pois os homens estão sempre ausentes (também se pode ler isso em mais de um comentário aqui).
        E depois você se apega apenas ao que abordo, rapidamente, e sem o foco de prioritário no que eu dizia (mas que abordei, pois você também tocou nesse ponto), e toda sua grande crítica autoafirmativa se referiu à minha opinião sobre com quem, e quando fazer sexo.
        Sim, minha cara. Li seu texto, vi sua problematização. E acho que temos muito que discutir sobre nossas vontades. Se são autênticas e se nos são impostas. E isso vale para tudo. Do espírito consumista que impera em nossos dias, ao real desejo sexual, ou não.
        Mas, enquanto não definimos bem isso, acredito que devemos levar em conta o grau mínimo e aceitável de liberdade e satisfação de cada indivíduo. E aí se encaixa o que quis expressar quando disse que “deve haver vontade e verdade”. VERDADE. Sempre.
        Eu não posso impor nada a ninguém, claro. Você está coberta de razão quanto a isso. Da mesma forma você não pode pretender a imposição de sua opinião. Agora ela é sua, e muitas mulheres concordam e corroboram. E ela pode se tornar senso comum. Mas não por imposição.
        Meu ponto é: Reconhecemos a realidade que você descreve. Mas, e daí, o que faremos a respeito. Já que essa realidade não engloba apenas vocês, seres maravilhosos portadores de vulvas, mas todas os seres que habitam esse planeta. Todos participamos do sistema. Então não resolveremos o problema sendo ainda mais sexista, nem negligenciando as pressões que esse mesmo sistema impõe à outra parte. Não haverá solução unilateral. Pode apostar que não. Devemos nos educar de forma diferente. Mas não tratando apenas o ponto de vista feminino. Mas o ponto de vista humano.
        Opio, e aplaudo iniciativas como a sua, de expor de forma aberta as aflições. Mas acho que deve estar aberta ao debate. Só isso.

      • Superficial são todos esses seu comentários prolixos, pouco concisos, enrolando e não chegando a lugar algum. Eu estou super disposta ao debate mas é preciso que vocês venham mais preparados. Eu não quero saber de achismo seu ou de quem quer que seja, entende? Com que base você diz todas essas coisas? Não tô dizendo que todo mundo tem que ter mil referências acadêmicas, mas é preciso uma conexão com o mundo ao redor, uma análise crítica de um recorte do mundo ao redor. E essa análise crítica envolve o eu? Claro que envolve, mas envolve toda a noção de como as categorias sociais se movimentam dentro de uma sociedade. E não tem como falar de tudo ao mesmo tempo. Esse papo de blábláblá humanismo é o que todo mundo sempre fala, o que é isso? Porque se pensarmos no Humanismo clássico, bem representado aqui nessa imagem de Leonardo DaVinci http://3.bp.blogspot.com/-nYfU__pXPZo/Tlwi5tNBLJI/AAAAAAAAAB8/duIX-Hq5qgs/s1600/humanismo.jpg é uma filosofia que coloca o ser humano e suas características de forma centralizada. Mas sendo a mulher o segundo sexo, subcategoria, por anos e anos, ainda hoje, aliás, sendo as mulheres desumanizadas, estão elas sendo representadas? Pessoas negras que foram escravizadas e subjugadas (e ainda são), e também desumanizadas, estão elas representadas? Então esse papo de humanismo (que sei que as pessoas não usam no contexto filosófico, elas usam achando que ser humanista é dar as mãos todo mundo e correr nu num campo de flores, mas enfim, resolvi puxar esse gancho) não cola, os seres humanos não são tratados de forma homogênea e cada grupo tem uma especificidade que precisa ser devidamente analisada. Então se me da licença, nós mulheres continuaremos a pensar sobre nossos problemas.

      • E se em um regime machista, os homens, de formas diversas, exploram as mulheres, não vão ser vocês que vão encontrar as soluções para nossas questões, né?

      • Bem, como eu disse, desde o início, minhas opiniões são apenas as minhas. Quais bases as fundamentam? Eu prefiro a vivência com homens e mulheres (e não me venha com aquele papo de que você fala/convive com muito mais mulher que eu, ou qualquer outra pessoa, afinal, como não nos conhecemos, é impossível afirmação desse tipo, e o enorme feedback que você já citou milhares de vezes aqui, ainda não representa uma parcela significativa do universo feminino, é uma pequena amostra). Existe sim, embasamento teórico. Mas e daí? Se mais importante é ver a realidade de agora, e tentar lê-la de forma satisfatória.
        Tudo bem. Acho que você tem razão. Vocês mulheres devem sim, continuar pensando em seus problemas. Mas, se esses problemas, de alguma forma se relacionar com nós, os homens, e não formos envolvidos no processo de solução. Uma pena, mas seus esforços serão inócuos. Suas soluções, já que deverá partir de vocês, devem nos envolver.
        Boa luta para vocês (que preferem lutar isoladamente). Eu junto minhas forças às que preferem lutar juntxs.
        Bye

      • Meu contato não é só pelo feedback de blog, mas por outros meios, como eu disse.
        Você pode ajudar, você pode conscientizar os homens ao seu redor, você pode repensar suas atitudes, pode não ficar calado quando presencia alguém relatando uma humilhação como algo engraçado. Existem diversas formas.

      • Olha só. eis que as aras são, aparentemente, colocadas de lado.
        É disso que estou falando, minha cara.
        Vocês são sim, o lado que mais sofre com o regime no qual vivemos, não opção. Fomos colocados nele arbitrariamente. Sendo assim, essa luta não é só de vocês. É de todxs nós. Entendo se apresentem com mais “sangue nos olhos”, afinal são vocês que morrem, são espancadas, estupradas e violentadas de diversas formas. Mas esse monstro também ataca a nós, que somos os opressores. E lutar sozinhas não as levarão, nem nos levará a nenhuma mudança real e significativa. Devemos lutar juntos essa batalha. E não apenas essa, como também as outras que você mesma citou.

  19. Adorei o texto! Sentia a mesma confusão na cabeça em realação a liberdade sexual (que acredito não existir realmente para a mulher nessa sociedade machista) e agora as coisas ficaram mais claras. Concordo bastante com você. Escreva mais sobre o assunto! Abraço!

  20. Pingback: 99 motivos por que nós precisamos do feminismo |

  21. Na boa, achei o texto perfeito. (entendi o resguardo no “praticamente” sobre o Frota, se precisar de ajuda nesse sentido no futuro, tamos aí)

    E me saltou aos olhos que os comentários críticos aqui, em sua maioria, se dirigiam mais à autora do que à discussão da realidade que vivemos. Por que será, né?

    Eu não sei onde esse povo vive, se sai de casa, se fica escondido no seguro aconchego do lar, se não vai pras baladinhas da cidade, se não tem convívio social… Mas tudo que a autora relatou, eu vejo acontecendo sim.

    Eu saio na night, eu conheço gente, sou bem sucedida profissionalmente, venho de boa família e cuido até da espiritualidade (e talvez por me sentir oprimida, senti que devia listar essas coisas aqui pra que os meus argumentos fossem considerados mais válidos… veja só até onde chega a violência simbólica…) e eu vejo mesmo o jogo do “ah, então vc é conservadora, que careta” x “o que mais vc espera de mim? a gente não tem nada sério”.

    Com esse jogo perverso, muitas vezes nos forçamos a aceitar padrões de respeito muito menores do que aqueles que nosso coração verdadeiramente nos diz que merecemos, porque, como diz o texto, “é o que tem pra hoje”.

  22. Já usei bastante as mulheres, esse texto é mais pura verdade, e pretendo continuar usando. Mas uma coisa eu garanto, eu sempre primei pela satisfação da minha parceira, e sim tenho medo das feministas, elas me intimidam pela inteligencia e segurança. Acho que eu sou a prova que o machismo está ficando fraco, coisas que eu achava normal há algum tempo hoje eu tenho vergonha. Exemplo é mexer com mulher na rua, eu tenho vergonha de quem faz isso……Mas ainda sou muito machista, apenas e acho que nunca me libertarei disso.

  23. Valeu o texto! é preciso muito ainda para abrir a mente não so dos homens mas das mulheres também. Mulher que se respeita faz o que quer quando quer e com quem quer, luto contra o meu machismo todo dia adorei seu texto acrescentou muito a minha luta!

  24. Sou mulher, sou feminista, me identifiquei muito com o seu texto, principalmente porque creio em algum momento da vida uma moça vai, infelizmente, se deparar com o machismo e suas consequências (objetificação e submissão femininas, entre outros).
    Porém, tbm não acho certo falar dos homens como se TODOS fossem objetificadores e desumanos com a mulher.
    Todos são ensinados a fazer isso? Sim.
    Todos se beneficiam com isso? Sim tbm.
    Mas LITERALMENTE TODOS/100% DOS HOMENS são assim? Não.
    Eu tenho consciência de que, sim, é a grande maioria que reproduz machismo, mas existem exceções e acho importante considerá-las.
    Já é difícil fazer algumas mulheres enxergarem coisas relacionadas e influenciadas pelo machismo (isso pq elas/nós passamos por isso, né); então qd vejo um homem que enxerga td isso melhor que muita mulher e ainda nos apoia, acho importante. A população não é composta somente por mulheres e se o machismo é presente numa SOCIEDADE, é pq é sustentado por ambos os sexos, logo acredito que quanto mais indivíduos apoiarem a nossa luta, melhor (sendo homem ou mulher).
    Não apoio, claro, homem machista e retrógrado, e muito menos os privilegio, mas se vejo um cara que compartilha da nossa visão (mesmo não sentindo na pele como a gnt), fico feliz.
    Escrevi isso pq não gosto de generalizações e estereótipos, sejam p homens ou mulheres, e não acho que toda a proposta do texto e a luta feminista vão ser ignoradas/desvalorizadas só por trocar “os machos/os homens fazem tal coisa/pensam de tal forma” por “A MAIORIA dos homens faz/pensa tal coisa”, ou então por algo que especifique quais são os homens, ex “os homens MACHISTAS agem de tal jeito”.
    Espero que ao menos tente compreender e sem ser violenta, plz.
    Abraço! ❤

    • Não sou violenta, sou um amor de pessoa na verdade 😉

      Mas, assim, acho que a gente não tem que ficar pisando em ovo pra não deixar homem #chateado, saca? Tanto que os homens com um mínimo de noção conseguem dialogar sem ficar o tempo inteiro “mas euuuuu não souuuuuu asssimmm buá me dá 1 cookie”. E eu sequer falo que são todos, 100%, que “cada indivíduo é igual” e etc. Mas enquanto uma categoria, eles TODOS estão hierarquicamente superiores a nós e possuem privilégios que não temos e podem eventualmente se beneficiar disso, por mais “legais” que sejam. O machismo não é sustentado por ambos, porque mulheres não possuem privilégios vindos do machismo…E se um cara enxerga algo “muito melhor” que uma mulher (embora ter tido oportunidade e acesso a teorias não significa aplicá-las realmente, o que mais tem é homem se metendo no feminismo querendo dizer o que mulher tem ou não que fazer por achar que enxerga “melhor”), e daí? Porque ele tem que ter área vip? Tanta mulher “enxergando bem” desde sempre e ninguém fala nada. Não é mais do que a nossa obrigação entender a humanidade alheia, devemos fazer isso por respeito ao próximo e não esperando reconhecimento eterno e tapete vermelho, não acha?

      Mas obrigada pelo seu comentário e volte sempre 😉

  25. Pingback: Estupro é invenção de maluca | vulvarevolução {!}

    • Não acho que seja o melhor caminho a seguir não O.o Até pq objetificação não envolve só o corpo mas o esvaziamento do subjetivo, das capacidades intelectuais, a desumanização…Prefiro geral se respeitando 😀

  26. Mas pera aí, se nem o cara que é exceção não pode ser considerado exceção então quem é exceção ? Ninguém ?
    Achei exagerado mas mesmo assim o texto é bom e eu concordo com ele.

    Vocês gostam de literatura ? já tem algum post sobre o assunto ? Procurei no índice e não encontrei nada

  27. Nenhuma resposta específica mas lendo os comentários eu encontrei a que eu queria.
    Já li muitos artigos sobre a Virginia Woolf mas pouca coisa sobre as escritoras latino americanas,eu gosto dos livros da Elena Poniatowska, é uma escritora mexicana, foi galardoada com o prêmio cervantes em 2013 e é feminista assumida. Dela eu li A Pele do Céu(La Piel Del Cielo) e ainda pretendo ler outros livros.

  28. esse texto é perfeito!!

    “Precisamos definir bem o que é ‘querer’ e o que é ‘estar com a autoestima baixa e topar algo que não quer porque é o que tem pra hoje’.” – passei por isso de topar coisa que não queria por causa de baixa auto-estima e foi ó: uma bosta. ainda sinto raiva, mas compreender oq aconteceu ajuda a superar a cada dia.

    agora eu pre-ci-so falar sobre os comentários dos caras ~ofendidos~ com a generalização do texto. meus queridos (not): nós generalizamos porque estamos falamos do quadro geral. vcs sabem interpretar dados estatísticos? então, eles prova que machismo e misoginia estão enraizados na nossa cultura e isso precisa mudar. e sinceramente? foda-se se vc ou seu amigo ou seja lá quem for é um cara firmeza. a relação de poder ainda existe. pode ser o cara mais legal do mundo, pró-feminismo, respeitador, honesto, carinhoso, leal, o que for – ele ainda tem privilégios, ele ainda tem poder sobre as relações com as mulheres. porque a socialização não falha. e vê se vcs param de colocar a culpa em outras mulheres. assumam sua culpa enquanto classe pra variar um pouco, pelo menos. sabe o que seria inédito? comentários de homens dizendo “nossa, eu nunca tinha pensado o sexo dessa forma… foi desconstruir isso!”

    depois reclamam que a gente não quer homem no nosso rolê. pra quê? pra ficar discutindo? aff, mta perda de tempo!

    • ai, errei várias palavra kkkkk eu quis dizer:

      […]então, eles provam* que machismo e misoginia estão enraizados na nossa cultura[…]
      […]vou* desconstruir isso![…]

      é o sono, gente. perdoa ❤

  29. Garota! A cada linha enquanto lia esse texto me fez sentir uma empolgação enorme!! É LINDO se dar conta de que tenho cada vz mais lido textos coerentes e que dão conta de tudo o que eu sempre pensei mas nunca consegui expressar pra ninguém (soh na minha cabeça, e ainda duvidando, sofrendo os efeitos desse real gaslighting e me sentindo a louca e frigida do sexo). É lindo ver cada vz mais as mina tomando consciência, entendendo como somos colocadas nesse moedor de carne social. Parabéns pelo texto, me identifiquei completamente, e esses homens virem aqui pra comentar APENAS que eles não fazem parte disso pq são ‘especiais’ e tentam ser ‘conscientes’ e portnt n são como “a categoria inventada pela autora” é a prova factual e dr comprovação para eles mesmos de como acabam se igualando, ainda que realmente não tenham vontade, do que o texto responsavelmente aponta. Ha uns meses decidi viver um relacionamento aberto, procurando evitar a situação de dominação que comumente existe nos relacionamentos monogâmicos (heteros). Tenho tido dificuldades de lidar com meu parceiro cheio de discurso, teoria e muito pouca prática de empoderamento feminino (pq, novidade omis, se vcs realmente são legais era oq vcs deveriam estar tentando fazer!!). Apesar de estar construindo minha consciência e me empoderando recorrentemente caio no papel feminino tradicional nos relacionamentos e no sexo muotas vzs fico frustrada. Mas esse texto me deu um chacoalhao e uma animo pra me colocar onde quero estar e exigir meu espaço em relação ao meu companheiro e a sociedade. É isso ai. Bjos

    • “Moedor de carne social”…Adorei essa expressão, haha, é bem assim que me parece mesmo! Eu acho que é um bom sinal os homens se incomodarem e as mulheres se identificarem tanto. Sinal de que em alguns pontos certos eu estou tocando. Se os caras estivessem aqui falando “uau arrasou concordo 100%”, aí significaria que eu não estaria propondo nenhuma mudança profunda…
      “Mas esse texto me deu um chacoalhao e uma animo pra me colocar onde quero estar e exigir meu espaço em relação ao meu companheiro e a sociedade. É isso ai” > Fiquei muito feliz de ler isso! Minha intenção é sempre colocar a gente pra cima, quero força, união, pra que a gente consiga fazer nossa voz valer cada vez mais! ❤ 🙂 Beijo!

  30. Olá. Gosto do seu blog.

    Não vou me defender… Eu já fiz mal há muitas mulheres. As vezes faço um esforço para entender como fiquei assim… E lembro de quando era criança e via meu pai maltratar minha mãe e o quanto achava ele asqueroso… Torcia muito para que se parassem… Ele não merecia amor de ninguém, nem o dela nem o meu. Só bebia e batia na gente… Certa vez li um diário que ela escrevia… Ela tinha deixado fácil, acho que queria que ele encontrasse. Foi horrível ler aquilo, pareciam cartas de desabafo, apaixonadas… descreviam humilhações sexuais… Odiava meu pai, tive uma relação muito violenta com ele na adolescência… Não vou entrar em detalhes. Mas ao mesmo tempo que achava meu pai um homem vil, tirano, achava minha mãe uma idiota de amar alguém assim.
    Então chegou a minha vez de entrar no ”jogo”. Não queria ser como meu pai e tratava as garotas como iguais, achava o universo feminino muito misterioso e cheio de brumas. Fiz muitas amizades femininas, me apaixonei algumas vezes, mas as garotas sempre me viam como amigo, nunca como ”homem”. Sentia mesmo que faltava alguma coisa em mim, eu me sentia sempre o ”amigo confidente”, quase um ”amigo gay”. E os caras que agiam como meu pai eram aqueles que tinham sucesso… E minhas amigas desabafavam comigo coisas parecidas com o que minha mãe escrevia naquelas cartas… Passei a sentir raiva e a não querer mais esse papel. Percebi que existia um jogo em andamento e que se eu quisesse me relascionar teria que aprender as regras… Foi muito difícil, li um monte de coisas… Fiz observações e experiências de campo… E, para minha decepção com o mundo, descobri que quanto mais maltratava uma garota, mais era amado. As pessoas querem.se sentir dominadas… Me sinto péssimo com seus textos… São bons e eu agradeço… Já fui inocente e consigo lembrar… Precisamos acabar com o jogo… Ele é doentio… Precisamos entender como ele funciona e de onde vem a força dele… Nada simples… Parabéns pelo blog.

    • Sinto muito pela sua mãe e pela sua relação com o seu pai 😦
      Infelizmente é assim que muitas vítimas são vistas mesmo, como fracas, “idiotas”. Porque parece muito difícil entender, quando a gente tá de fora, todos os mecanismos mentais (e ás vezes físicos e financeiros tbém) que levam alguém ao aprisionamento em uma relação. No entanto, reproduzir esse molde de violência e dominação não é encontrar “amor”, mas sim perpetuar o aprisionamento de mulheres historicamente fragilizadas e com a autoestima ferida. Uma relação assim, hierárquica, como muitas das relações entre homens e mulheres, infelizmente, me parece algo bem distante de uma real felicidade para ambos que estão nela — principalmente para a mulher, claro.
      Já ouvi desabafos parecidos, de homens que acham que quem “maltrata” mulheres tem mais “sucesso”. Porém, como pode ser sucesso, se são relações baseadas em violências — ainda que em alguns casos sejam “só” psicológicas, são violências. E assim como eu, enquanto feminista e uma mulher “diferente” do que se espera socialmente, preciso lidar com gente me chamando de louca, doida, vadia, estúpida, burra, os homens precisam entender que sair do papel esperado é também ser um pouco massacrado. Não é fácil, mas se não existir quem resista, as coisas continuam como são, não?

  31. Concordo.

    Estive me perguntando recentemente se a natureza em si é violenta…

    Talvez o único jeito de não machucar ninguém é ser sozinho.

    Mas estou exagerando…

    Parabéns mesmo pelo blog… Esse debate é importante. Acho que relações hierarquizadas são ruins em todos os lugares, empresas, escolas, amor… Ah… Acho que se pode encontrar o amor em relações violentas… Meu pai foi violento comigo e, por menos que eu goste de admitir, eu o amo. O amor não é algo apenas bonito… Hitler amava a Alemanha…
    Tudo tem bem e mal.

    Até.

  32. Pingback: theBeautyBackstage

  33. Parabéns pelo artigo! Estou ultimamente lendo muitos textos sobre essas questões tão complicadas nas relações entre homens e mulheres e como é bizarro constatar que a sociedade é patriarcalizada em cada microesfera e como isso é sofrível e danoso para mulheres. Que muitas das atitudes as vezes inconscientes de homens são carregadas de reificação feminina. Me incluo nisso.

    É preciso desconstruir mesmo essa sociedade de privilégios. O difícil é a tomada de consciência masculina e a necessidade de encarar as mazelas de frente.

    É quase um caminho espiritual trilhando uma desconstrução e uma percepção maior das próprias ignorâncias e truculências. É louco se ver como truculento ou manipulador.

    Bem obrigado mais uma vez! Mais uma coisa pra refleti sobre os atos individuais masculinos, nesse caso os meus. Uma dificuldade latente é além de reconhecer e agir diante das próprias imbecilidades, é saber como agir diante da imbecilidades alheia como forma de leva – los a refletir também.

    Sigo desconstruindo.

    Excelente reflexão ! Só não sei a autora do texto!

    Beijinhos

  34. Minha única dúvida quanto ao texto é:

    Quando é seguro para uma mulher fazer sexo casual? Ainda que ela esteja morrendo de desejo é errado que ela faça sexo casual? Você acha que é impossível uma mulher olhar para um homem apenas como um pinto ou uma conta bancária objetificando-o(nesse caso sem dúvidas os homens objetificam muito mais, não há como discordar disso)? No caso da objetificação partindo da mulher, é correto dizer que o que seu texto diz sobre homens também se aplica sobre essas mulheres?

    • Mulheres, enquanto categoria, não possuem poder para oprimir um homem. E sequer são estimuladas a objetificar um cara e “parti-lo” em pedaços, separando seu corpo de seu subjetivo (tipo: “neste momento estou apenas englobando o pênis dele com minha vagina para obter prazer e fim”). Não quero dizer que mulheres não conseguem fazer sexo casual ou estão sempre em busca de uma relação, não. Mas a gente não cresce desumanizando homens e separando eles em categorias da mesma forma que o inverso acontece.
      Não é errado que uma mulher faça nada do que tiver vontade! Não estou aqui para julgar indivíduas, meu intuito é analisar o cenário atual e alertar as mulheres que me leem para o que pode acontecer, bem como pensar coletivamente em situações que todas nós passamos.
      E homem objetificado pela conta bancária não vejo muito, vejo mais é velho babão rico achando que até mesmo mulher é coisa para consumo.

  35. Obrigada pela explicação, quanto a nós mulheres não podermos oprimir homens ao que se deve isso? Seria questão de força física? Psicológicamente acho que ambos temos a mesma capacidade de oprimir ou sermos oprimidos. Quanto à conseguir separar homens em categorias é algo que existe e eu presencio muito, mas ao meu ver não é inerente à genero e sim à condição de ser humano. Acho que a maior reclamação disso é o tipo de categorização feita por cada gênero, no caso dos homens nos categorizam baseados na quantidade de sexo que fazemos ou em beleza (o que para nós mulheres é ruim), e no no caso das mulheres a categorização é feita com base em conquistas profissionais, bens materiais e etc. Não estou aqui pra defender homens, por favor não pense isso, mas sim para um debate saudável tentando mostrar que no meu ponto de vista existem coisas que não são pressupostos de gênero mas sim da condição humana de cada um.

    PS: Ao dizer “homens” ou “mulheres” eu estou generalizando como se fosse “a maioria”, pois claro, existem pessoas que fogem totalmente às coisas que eu citei, mas usei a generalização para ficar mais fácil de debater.

  36. algumas partes desse texto são senstas mas outras a autora generaliza(acha que todos os homens veem as mulheres como objetos,veem as como putas,entre outras asneiras)a autora em certas colocações lembra uma feminazi isso sim.

  37. Pingback: DEZ COISAS QUE HOMENS FAZEM ERRADO DURANTE O SEXO |

  38. Acho que essa é “a” reflexão da minha geração! Espero que consigamos ajudar um pouco as mulheres das próximas. Há uma falsa simetria entre o que uma mulher pensa quando diz que só quer sexo e quando um homem assim o faz. É meio que:

    Mulher = só sexo = não quero relacionamento. Ponto. É algo mais literal mesmo. Vamos trepar gostoso e ser o mais feliz possível por uma noite. Yeeeee

    Homem = só sexo = eu não te vejo como uma pessoa. Respeito nível: depósito de porra. É bizarro.

    Outra é a questão do “ok, tenho consciência disso, mas mesmo assim encaro o jogo”. Ok, mas cê sabe que você vai para o round com as regras do jogo te fodendo, né? Acho que na minha geração – talvez por causa desse papo de “você é diferente”, “sou a garota cool, relax, super sexual” – rolava de criarmos uma expectativa irreal de que a gente poderia ganhar. Algo como: “É impossível que esse cara me abale, porque eu tb só quero sexo, ué”. Nãoooo, mano! Até sexo casual com homem escroto te fode a vida legal. É ausência de respeito por sua condição de ser humano que estamos falando, não é apenas ausência de interesse em relacionamento! Isso é o que a gente pensa quando diz que só quer sexo. E pior que eu acreditei muito tempo nisso =/

  39. Ainda bem que escapei! Não gosto de homem! Embora as relações entre mulheres também tenham seus problemas…correm por fora desta famigerada opressão patriarcal.

  40. O mais triste é vc tentar e não conseguir explicar pro tal que vc n tá querendo nada sério, vc só quer que ele se interesse o MÍNIMO pela sua opinião e seus gostos, ou seja, enxergue vc. A maioria acha que aí vc tá começando a gostar e mete o pé e você ainda fica como a louca que confundiu as coisas rsrs É complicado

    • Tipo isso! A mina diz “eu quero ser vista como uma ser humana” e o cara entende “NOSSA ELA QUER SER BEM TRATADA CREDO QUER CASAR COMIGO”. Queria saber daonde tiram tanta autoestima…rs.

  41. O texto me contempla muito, fui jogada aos leoes, e acreditei que estava me libertando através do sexo, talvez realmente tenha sentindo a liberdade, mas sempre com a grande dor e preço de ser a vadiane.Sempre sendo subjulgada, sendo maltratada, e acreditando e ouvindo inclusive de amigas, que o erro estava na minha postura. Nunca entendi, porque os caras sempre tem as mesmas posturas que eu, mas as meninas ficam com eles mesmo assim. Então comecei a pirar, achar que talvez eu fosse louca msm, e afastasse os manos. Mas decisivamente através deste e outros textos, posso perceber que não há nada de errado em ser eu, e que de fato minha postura não é tao moralmente inferior a dos caras, talvez o problema não esteja em mim, sempre.Ainda estou cansada, mas ouvir bikini kill já é uma grande consolação.amo essa música, obrigada pelo texto. Ainda sou vadiane hahaha, mas to eliminando os otarios master da vida.

    • Você não está louca e nem sua postura errada, é a repressão e hipocrisia da sociedade em relação à sexualidade da mulher que é doentia, controladora e violenta (repressão que se manifesta inclusive nos caras que fazem o mesmo, mas acham que nasceram com o direito adquirido de fazer o que quiser e a gente não, e que enxergam o sexo como uma batalha e não um momento de prazer). Que bom que gostou do texto ❤

  42. Nossa, é isso mesmo miga! Existe uma liberdade sexual pregada por algumas vertentes do feminismo que dizem que sexo casual é uma forma de se libertar, de se igualar ao homem, mas muitas das vezes, a objetificação continua, ele continua tendo o que quer e a mulher continua sofrendo as mesmas retratações 😦

  43. muito bons seus textos, como estudante de gestão de serviços de saúde, um grande desafio que temos como gestores é o acolhimento a mulher…. e conhecer as necessidades reais e intimas da mulher é uma grande ferramenta de gestão, não só nos serviços de saúde mas principalmente dentro de nossas casas, saber do que seu parceiro (a) gosta é uma das chaves para felicidade do casal! conheci o site hj, e vcs estão de parabéns!

    • Obrigada! 😉 Estou fazendo pós-graduação na área de gênero/direitos humanos na Fiocruz e essa questão do acolhimento da mulher (e também de outros grupos, como o LGBT e afins) são assuntos que trabalhamos bastante tb! Precisamos entender necessidades e anseios de indivíduos e especificidades de grupos para conseguir criar ambientes realmente acessíveis para todas as pessoas, né? Volte sempre =*

  44. Acabei de sair de um relacionamento de 8 anos e fiquei perdida com a vida de solteira. Mal conheci o cara fiquei com ele na balada e ele já queria tranzar. Parei pra pensar será que vai ser assim todos caras que eu ficar vou ter que tranzar, isso é normal eles avançarem tão rápido, mal sabe seu nome e sua vida. Sentir como se fosse obrigação, e depois disso o homem sai como o garanhão e a mulher como puta. Espera aí isso está errado, não sou obrigada a nada, mundo machista que vivemos. Se estou com vontade vou tranzar mais não vai ser no primeiro encontro não. Se interessou só pelo corpo quebra a cara,mulher que curte balada e solteira não tem valor pra eles, se a gente não se valorizar quem vai? Amei está matéria abriu minha mente,algo que está na nossa cara mais precisamos de um toque pra enxergar.

    • Você está certa, “ninguém e obrigado (a) a nada”, acredito que todas as pessoas têm suas expectativas, já aconteceu de sair com uma mulher e ter relação na mesma noite, e tudo muito relativo, felizmente ou infelizmente minha vida não gira em torno de sexo, não valorizo o sexo a cima de muitas outras coisas, portanto a mulher para mim precisa ter muitas outras qualidades é sexo para mim não e diferencial, acredito que quando o homem consegue ter o controle sobre esta questão tudo se torna mais fácil, ele passa a direcionar o seu tempo para outras coisas de maior importância. E também passa a ver a mulher como uma pessoa mais real, sem ficar “endeusando” Gerúndio do verbo endeusar só porque ela teria o sexo.

  45. Querida, amei seus textos! São os únicos que li ate hoje e que exterioram tudo que penso e não sei expressar. Parabéns! Fico feliz por saber que existem mulheres que sabem escrever tão bem e colocar tudo isso em pauta! Todos os homens do mundo deveriam lê-los.

  46. Pingback: Feminismo suave não liberta, mas gera lucro |

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