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Feminismo suave não liberta, mas gera lucro

Por que o feminismo existe? Puxo essa provocação com o intuito de iniciar uma reflexão ampla e não de buscar uma verdade absoluta. No meu caso, por exemplo, acredito que uma desigualdade histórica entre os sexos – e não necessariamente entre os gêneros apenas – levou (e leva) pessoas do sexo feminino a forçarem o próprio acesso a espaços de educação, poder, lazer e outros. Assim como desigualdades em outros aspectos da sociedade, como a exploração e a discriminação de pessoas negras, fizeram com que grupos que compartilhavam opressões semelhantes precisassem (e ainda precisem) se organizar para conquistar direitos. Aliás, grupos minoritários diversos possuem histórias de luta igualmente diversas para contar. E elas se entrecruzam: existem mulheres negras e lésbicas, por exemplo, o que as tornam possivelmente mais suscetíveis a violências e exclusões motivadas por preconceito.

Claro que estou resumindo bastante questões que são bem complexas e abrangentes, mas faço essa introdução para que a gente possa começar a se entender. O que quero dizer é que o corpo é um território de disputa ou, como diria a artista Barbara Kruger, um campo de batalha. Portanto, dentro de um esquema que envolve a necessidade de domínio de corpos para criação e manutenção de poder, nascem diferentes narrativas sobre grupos sociais específicos com o intuito de confiná-los em papeis previamente determinados. Desse modo, se garante uma engrenagem onde muitas pessoas possuem deveres e poucas possuem direitos – e menos ainda possuem privilégios.

Se formos pensar no feminismo, ele é um movimento social que tem o objetivo de gritar para o mundo que os estereótipos sobre as mulheres estão errados: elas não são fracas, burras, incapazes, fúteis, inferiores, loucas por homens ou nasceram para a maternidade. No entanto, precisamos sempre lembrar do caráter político do movimento. Para que nossa humanidade seja levada em conta, não basta que a gente se sinta humana, não ligue para o que os outros digam e simplesmente aceite continuar vivendo na precariedade. O que busca nos desumanizar são ações específicas e cotidianas e a construção da nossa humanidade parte da destruição dessas ações. Um sentimento por si só não constrói creches ou aprova leis a nosso favor.

No Brasil, por exemplo, enfrentamos problemas como mulheres sendo mortas por parceiros e outros homens próximos, como se fossem objetos descartáveis, apenas por não desejarem mais manter um relacionamento. Existe também um alto nível de violência física, psicológica e sexual contra pessoas do sexo feminino em geral. E desde cedo precisamos nos acostumar com assédio de estranhos nas ruas – o que vejo como uma forma de terrorismo contra nossa “invasão” ao espaço público, que é relativamente recente. No espaço virtual, somos as mais atacadas. O aborto ainda não é descriminalizado no país, embora a pesquisadora Débora Diniz tenha a esperança de ver essa conquista tomar forma por aqui um dia. Mulheres negras ganham menos do que todo mundo e possuem menos acesso ao mercado formal de trabalho – e são as que sempre estiveram aí, na labuta. Adolescentes engravidam de homens mais velhos, mas o senso comum trata a questão como mera “safadeza” da parte delas, e esquece a responsabilidade que adultos deveriam ter. Entre outras coisas.

Em 1999, a pesquisadora Karen Giffin escreveu, em um artigo chamado “Corpo e conhecimento na saúde sexual: uma visão sociológica”, que “agora colocada na agenda feminista como direito, a definição da saúde sexual não tem avançado além do abstrato (…)”. E aponta questões que precisam de atenção, como o “novo perigo da AIDS feminilizada, da prostituição infantil internacionalizada no turismo sexual, da violência sexual globalizada contra mulheres e crianças, etc”. Será que dezoito anos após a publicação do artigo, conseguimos dizer, sem buscar no Google, quais as respostas que temos para tais questões, ainda tão atuais e urgentes?

De cabeça, provavelmente não. Mas se utilizarmos o Google, poderemos perceber que, sim, existem debates, propostas e outros artigos. Mas a maior parte das discussões aprofundadas estão restritas a círculos específicos. Os direitos sexuais e reprodutivos da mulher – que envolvem direito ao próprio corpo e a própria sexualidade, expressa como e com quem quiser – ainda protagonizam ferrenha disputa. A constante reformulação do mito da mulher como máquina-de-fazer-bebês, a pouca atenção que se dá à saúde sexual da mulher lésbica ou a prostituição sendo tratada primordialmente pelo viés da “escolha” mostra que ainda temos muitas batalhas. E que precisamos tomar as rédeas do debate público ao invés de procurar meios de dissolver o feminismo para torná-lo palatável.

Ás vezes me pergunto se estamos cometendo erros estratégicos. Onde estamos falhando? Já é 2017 e ainda é difícil debater questões relacionadas a pornografia, estética, violência sexual ou prostituição sem cair dentro da mesma ladainha de sempre, de que “mulher faz o que quiser”. A mídia mainstream e os homens adoram essa frase, mas apenas quando mulheres-fazendo-o-que-querem significa “liberdade sexual” e nudez (de corpos brancos e magros). Muitas feministas de grande alcance, principalmente as do tipo que utilizam o movimento para impulsionar a própria imagem sem necessariamente possuir um comprometimento coletivo, acabam abraçando essa falácia para que não precisem lidar com temas que não são populares. É uncool falar de abuso sexual, apontar agressores, problematizar a indústria da beleza – uma das poucas a não entrar em crise no país – ou desestabilizar muito o status quo, por exemplo. Corre o risco de a coisa fica chata demais.

Aliás, percebo que é nessa junção de mídia e homens (ou instituições historicamente masculinas – ou seja: quase todas, risos) legitimando o feminismo “correto” que um feminismo lavado passa a existir. Um feminismo chique, com roupas de marca, caras, bocas, batom, orgasmos múltiplos e cantoras pop postando fotos do grupo de amigas loiras com legendas tipo “girl power” ao mesmo tempo em que diminuem denúncias de racismo de colegas de profissão negras. Um feminismo que gosta de afirmar que é feminino, que não é como aquelas despenteadas, peludas, histéricas, exageradas, odiadoras de homem – ew, imagina ser confundida com uma lésbica!  Um feminismo que separa mulheres entre boas e más, que menospreza a construção teórica elaborada por pessoas do sexo feminino, que descarta o valor do envelhecimento e da experiência e propaga um sem-fim de frases feitas sem saber o porquê. E não questiona, profundamente, salários, acordos e papeis sociais. Um feminismo que poupa os homens e aponta todos os dedos para as “manas”. E que se estabelece mais como uma tribo urbana do que como um movimento social de fato: legal mesmo é ser uma it girl feminista.

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barbie. se você pode sonhar, você pode ser — uau, agora vai, hein! // propaganda da mattel, de 2014.

Em “Backlash: o contra-ataque na guerra não declarada as mulheres”, de 1991, a escritora Susan Faludi mostra como mídia, políticos, líderes trabalhistas e outras figuras tentaram (e ainda tentam) promover a ideia de que a mulher já conquistou tudo, mas se tornou infeliz por culpa do feminismo – como se tripla jornada ou desilusões amorosas fossem consequências do movimento, por exemplo. No entanto, ela prova como, na época, vários direitos ainda não tinham sido conquistados, mesmo com uma suposta autonomia da mulher sendo celebrada. Quando ela fala sobre “a natureza do backlash de hoje”, referindo-se aquele período, parece que estamos lendo algo sobre o momento em que estamos agora:

A mulher reprimida do atual backlash distingue-se das suas predecessoras pois quer fazer parecer que escolhe a sua condição duas vezes – primeiro como mulher e segundo como feminista. A cultura vitoriana definia “feminilidade” como sendo aquilo que “uma verdadeira mulher” deseja; na estratégia de mercado da cultura contemporânea, também é o que uma mulher “liberada” almeja. Da mesma forma que Reagan assumiu ares populistas para vender um programa político que favorecia os ricos, os políticos, os meios de comunicação e a publicidade adotaram uma retórica feminista para passar adiante políticas que feriam a mulher, revendendo os mesmos velhos produtos de sempre ou escondiam opiniões antifeministas. Bush prometeu “maior poder” para as mulheres pobres – como substituto dos muitos programas de assistência social que ele estava cortando. Até a Playboy afirmou estar do lado do progresso feminino. “As mulheres avançaram tanto”, garantiu o porta-voz da revista à imprensa, “que já não é um estigma posar nua.” A cultura dos anos 80 suprimiu o discurso político das mulheres e depois redirecionou sua auto-expressão para os shopping centers. A consumidora passiva foi reeditada como sucedâneo feminista, exercendo o seu “direito” de comprar produtos, fazendo as suas próprias “escolhas” ao chegar no caixa. “Você pode ter tudo”, prometia um anúncio de cerveja a uma jovem em malha de ginástica – mas por “tudo”, a cervejaria queria dizer que o seu produto não dava a barriguinha de chope. Criticado por dirigir-se a jovens mulheres nos seus anúncios, um indignado vice-presidente da Philip Morris esbravejou que este tipo de censura é “sexualmente discriminatório” pois sugere que “mulheres adultas não têm capacidade para tomar as suas próprias decisões de fumar ou não”. A reivindicação feminista exortando que cada uma siga os próprios instintos tornou-se um apelo publicitário para se obedecer às solicitações do mercado – um apelo que enfraqueceu e aviltou a busca feminina de uma verdadeira autodeterminação. (…)

O atual contra-ataque aos direitos da mulher proporciona ainda outra tática inerente aos livros de estratégia dos antigos contra-ataques: a pose de uma sofisticada e irônica distância dos seus próprios fins destrutivos. A lista de emoções falsas do backlash –piedade pelas mulheres solteiras, preocupação com o esgotamento das que trabalham, envolvimento com os problemas da família –, a ofensiva atual acrescenta um escarnecedor cinismo em relação a quem ousa apontar mensagens discriminatórias ou antifemininas. (…) Ficar falando de injustiça sexual não só é feminino, mas não pega bem porque já não está com nada. A revolta das mulheres, assim, como qualquer outro tipo de revolta social, é alegremente descartada – e não por falta de conteúdo, mas simplesmente por falta de “classe”.

Já é bastante difícil desmascarar sentimentos antifeministas quando eles se vestem com roupas feministas. Mas é muito mais difícil enfrentar um inimigo que diz não se importar. O feminismo “cheira tanto a anos 70”, afirmam com tédio os papas da cultura popular. Agora somos “pós-feministas”, informam, não para dizer que a mulher chegou à igualdade de direitos e ultrapassou essa fase, mas para sugerir que eles mesmos se adiantaram tanto que já não pretendem nem mesmo importar-se com o assunto. É uma falta de compromisso que, no fim, pode representar o golpe mais devastador contra os direitos da mulher.

Logo, é importante pensarmos na raiz das coisas, para não ficarmos eternamente brincando de encenação política, feito hamsters na gaiola, enquanto permanecemos lucrativas. Claro que, dentro do capitalismo, que não irá sucumbir tão cedo, é importante que existam produtos de beleza também para peles escuras ou cabelos crespos ou roupas estilosas para pessoas gordas, e que propagandas sejam questionadas quando são preconceituosas, por exemplo. Não acho que esse tipo de coisa seja irrelevante. Aliás, não julgo ninguém, individualmente, por suas atitudes. Ainda vivemos em um mundo que valoriza muito a aparência, que conecta o “se sentir bem” com “se sentir bonita” e que, em certos momentos, sequer dá alguma chance de a mulher fingir que pode escolher. Existem empregos, por exemplo, que exigem salto e maquiagem, e pronto.

A caminhada ainda é longa, mas a nossa rede e a nossa força possuem potenciais enormes, que nos são mostrados diariamente: querendo ou não, estamos aqui, ainda que os nossos recursos sejam infinitamente menores que os dos detentores do poder. Existem conquistas para trabalhadoras domésticas, existem leis específicas para a violência contra a mulher, a  obstetrícia atual está em debate, entre várias outras coisas, mas claro que poderia ser muito melhor. É importante a gente continuar sempre a pensar na utopia, para que ela se concretize. Desejo que ruas iluminadas (segurança pública também é questão de gênero), para que mulheres igualmente brilhantes andem por elas, sejam uma realidade concreta e metafórica.

Por isso, precisamos entender que uma camiseta em uma loja de departamento com “feminista” escrito nela não significa muita coisa, principalmente se os funcionários continuam trabalhando muito e ganhando pouco, se artistas continuam tendo ilustrações roubadas para estampar produtos e se peças terceirizadas continuam sendo confeccionadas por meio de trabalho escravo. Relativizar depilação ou procedimentos de beleza ou minimizar os pontos negativos de cirurgias plásticas, como riscos ou o processo pós-operatório, também não são coisas que se enquadram exatamente em um viés feminista acolhedor e informativo, funciona mais como propaganda gratuita e marketing espontâneo e positivo para empresas mesmo.

Como analisou a teórica Nancy Fraser, no artigo “O feminismo, o capitalismo e a astúcia da história” (que chegou até mim por meio do coletivo Não Me Kahlo), houve uma fragmentação da crítica feminista que auxiliou na “incorporação seletiva” e “recuperação parcial” de algumas de suas tendências. Ou seja, de acordo com o interesse vigente, uma coisa ou outra é aleatoriamente pinçada sem levar em conta o seu contexto. E isso acaba auxiliando não na construção de uma nova realidade para mulheres, mas em uma nova forma de manter a organização social nos moldes hierárquicos de sempre. E mais:

É dito frequentemente que o sucesso relativo do movimento em transformar cultura permanece em nítido contraste com seu relativo fracasso para transformar instituições. Esta avaliação tem duplo sentido: por um lado, os ideais feministas de igualdade de gênero, tão controversos nas décadas anteriores, agora se acomodam diretamente no mainstream social; por outro lado, eles ainda têm que ser compreendidos na prática. Assim, as críticas feministas de, por exemplo, assédio sexual, tráfico sexual e desigualdade salarial, que pareciam revolucionárias não faz muito tempo, são princípios amplamente apoiados hoje; contudo esta mudança drástica de comportamento no nível das atitudes não tem de forma alguma eliminado essas práticas. E, assim, frequentemente se argumenta: a segunda onda do feminismo tem provocado uma notável revolução cultural, mas a vasta mudança nas mentalités (contudo) não tem se transformado em mudança estrutural institucional.

Acredito que mudar a pintura externa de uma casa não significa necessariamente reformar por dentro. Logo, não podemos nos deslumbrar com a festa feminista que tentam, literalmente, nos vender. Mulheres libertas não geram lucro, corpos autônomos são mais difíceis de controlar e pessoas conscientes da própria complexidade ameaçam a narrativa de papeis unidimensionais. Minha vontade é muito ambiciosa: não quero que as mulheres se sintam lindas e sim que se sintam – e sejam, de fato – livres. Vamos juntas?

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Grimes dá dicas para mulheres que querem (ou precisam) chefiar

A Tavi Gevinson – editora do fofíssimo site para adolescentes Rookie – vai lançar esse mês uma publicação editada por ela (“Rookie Yearbook Three”) que conta com a contribuição de diversas artistas sobre vários assuntos. A revista Elle publicou trecho de dicas dadas pela Grimes – ou Claire Boucher, artista canadense de vinte e poucos anos que começou a bombar em grande escala já faz uns três anos, produzindo as próprias músicas praticamente sozinha – sobre como ser chefe. São dicas simples, mas que achei interessantes por verem a dificuldade que muitas meninas e mulheres têm quando precisam se impor. E são dicas que valem não só pra quem é da música: se você vende comida de forma autônoma, elabora estampas e vende camisetas em loja virtual, gerencia alguma loja física, é fotógrafa, escritora ou tem qualquer outra relação com criação e/ou algum tipo de empreendimento, você vai precisar gerenciar serviços de outras pessoas. Por isso, traduzi (não sou nenhuma expert, perdoem qualquer erro) o texto, que vem a seguir. Aqui está o link original (em inglês).

Grimes, por Colin Kerrigan

Grimes, por Colin Kerrigan

Algo que eu não percebi quando comecei a fazer música foi que qualquer empreendimento empresarial envolve contratar pessoas, criar uma empresa e se tornar um empresário. Então, enquanto você provavelmente me conhece como artista, na prática eu sou também uma chefe. Sou a CEO de duas empresas, Grimes Creative Corp e Fairy Tour Corp, e acabei de começar a Roco-Prime Productions com o meu irmão. Isso é simultaneamente muito legal e muito estressante. Eu definitivamente não sou a melhor ou a mais experiente chefe. E sou também uma jovem chefe do sexo feminino, o que pode trazer um conjunto muito particular de desafios práticos e emocionais. Compilei aqui uma lista de coisas que têm sido úteis para mim enquanto venho tentando aprender como estar no comando, na esperança de que alguma delas possa ajudar qualquer uma de vocês que estejam fazendo o que estou fazendo (ou seja, “aprendendo enquanto faz”):

  • Você nunca vai ouvir tantas pessoas dizendo que você está errada quanto quando você está sucedendo. Depois que o meu álbum “Visions” foi lançado, eu gastei um tempo realmente longo enlouquecendo porque as pessoas estavam me dizendo que, para dar o “próximo passo” na minha carreira, eu precisaria me tornar uma “música” muito melhor, precisaria de uma banda de apoio, etc. Agora percebo que (a) nenhuma dessas pessoas têm carreiras musicais e (b) eu desperdicei muito tempo tentando fazer coisas que me disseram que eram “importantes para todo músico profissional”, sem perceber que, enquanto fã, eu sempre fui muito mais interessada em coisas que eu nunca tinha visto antes. O ponto é que escutar os haters é inútil. As pessoas julgam tudo – muitas vezes porque se sentem ameaçadas. Ignore-as. Acho que isso se aplica a todo negócio ou coisa criativa, porque o mundo de amanhã não vai se parecer com o de hoje. Fazer algo diferente é provavelmente melhor do que fazer as mesmas coisas que as outras pessoas fazem.
  • Pule corda. É a forma mais eficiente de obter exercício cardiovascular em qualquer tipo de clima, sem ir à academia. Exercícios são muito importantes se você está lidando com depressão ou raiva – e qualquer trabalho na indústria do entretenimento causa ambos.
  • Pare de trabalhar quando você estiver cansada – mas não fique com preguiça. Eu às vezes oscilo entre trabalhar 22 horas seguidas, entrar em colapso e perceber que eu não tenho que aderir a um horário fixo, e assistir todos os episódios de Os Sopranos. Eu não sugiro este sistema. Horários planejados são surpreendentes: oito horas de trabalho, oito horas de sono. As outras oito horas são de uso livre (ainda não sou mestre nisso, mas quando consigo botar em prática me torno muito mais produtiva).
  • Agarre-se em seu trabalho. Certa vez, Elvis Presley quis gravar um cover de “I Will Always Love You”, da Dolly Parton, mas com a condição de que metade dos royalties de difusão – dinheiro que o compositor recebe sempre que alguém toca ou performa sua canção em público – ficassem pra ele. Dolly disse que não e, muitos anos depois, Whitney Houston cantou “I Will Always Love You” em um filme, e essa provavelmente se tornou uma das canções mais memoráveis ​​(e lucrativas) de todos os tempos. Portanto, é muito importante manter a posse de sua propriedade intelectual. Coloque direitos autorais em tudo. NÃO SE ESQUEÇA DE FAZER ISSO. Você pode se ferrar de tantas maneiras se não reivindicar os direitos autorais de seu trabalho. Por outro lado, trate seus colaboradores com respeito e dê a eles o dévido crédito.
  • Seja gentil com as pessoas que trabalham com você. É de extrema importância tratar as pessoas com gentileza, porque você quer que elas trabalhem com empenho e se preocupem com as coisas que vocês estão construindo juntos. No entanto, para que as coisas sejam feitas, às vezes você precisa ser má. Eu sou muito ruim nisso, mas é absolutamente necessário que as pessoas saibam quando algo é inaceitável, ou elas vão continuar fazendo isso e você vai ficar ressentida, o que irá gerar vibrações ruins.
  • Leia/assista biografias de pessoas que você admira. Eu aprendi mais com esta prática do que com qualquer outra coisa, sério. Além disso, se você está perto de alguém que faz o que você quer fazer, faça perguntas e veja de perto o trabalho da pessoa.
  • Bette Midler disse uma vez: “acredito firmemente que com um calçado adequado, se pode governar o mundo”. Eu costumava tentar usar saltos, e foi um desastre. Agora sempre priorizo sapatos confortáveis. Além disso, evite usar branco: pessoas ocupadas não têm tempo para trocar de roupa com frequência, e branco suja rápido (a menos que você seja Olivia Pope). Basta encontrar uma ou duas roupas que pareçam legais e que você possa também dormir com elas.
  • Evite namorar com alguém que faz o mesmo trabalho que você. Se você acabar fazendo isso, certifique-se que a pessoa não ressente o seu sucesso e nem você o dela.
  • Tente namorar com uma pessoa que seja boa na cozinha. Isso vai poupar tempo.
  • Se você está cansada e precisa ser enérgica, beber um pouco de molho de pimenta realmente funciona.
  • Mantenha caneta e papel ao lado de sua mesa de cabeceira. Boas ideias muitas vezes surgem quando você está caindo no sono, e você não vai se lembrar delas de manhã.
  • Só porque alguém tem mais qualificações do que você não significa que essa pessoa é melhor do que você. Vivemos na era da tecnologia, então você pode googlar tudo que não souber fazer. A única coisa que você não pode googlar é como ser original e criativa. Seus pensamentos têm mais valor do que um diploma ou pai/mãe no mesmo campo de atuação ou qualquer outra coisa. Sempre penso no meu avô, que se tornou um engenheiro com apenas a sétima série concluída. É uma coisa muito clichê de se dizer, mas quase tudo é possível se você programa sua mente pra isso.
  • De verdade, a coisa mais importante é eliminar a falta de confiança em si mesma. Isso é basicamente impossível para mim, mas descobri que se eu agir como chefe, eu posso me convencer de que eu sou uma chefe quando preciso ser uma. Copio coisas que já vi políticos e atores fazendo; faço contato visual com as pessoas; tento manter os ombros para trás e cabeça erguida; gesticulo e, por vezes, faço longas pausas (silêncio pode ser muito intimidante). Tento agir como se eu fosse poderosa, no palco e fora dele. Sou, muitas vezes, tratada com desrespeito, mas respondo da forma mais respeitosa que eu puder, porque quando você não tropeça, isso faz com que os trolls pareçam estúpidos. Conforme o tempo vai passando, tenho notado que as pessoas ruins foram gradativamente sumindo e estou cada vez mais cercada por pessoas que confio e que compartilho respeito mútuo – o que, por sinal, gera confiança real.

Já que estamos falando da Grimes, uma curiosidade que se encaixa com o tema do post: o clipe acima foi feito com pouquíssimo dinheiro e dirigido por ela mesma:

Esse foi um vídeo com verdadeiras influências K-pop. O orçamento, de $60, foi todo em álcool. Nós literalmente planejamos ele na noite anterior. Eu só reuni algumas amigas para beber muito e foi tipo “nós vamos fazer movimentos de dança”. Fizemos o vídeo em algumas horas. Eu quase não me importava em como o vídeo ficaria; só queria que parecesse que todo mundo estava se divertindo. Eu queria também que fosse um pouco assustador, por isso tem o lance das coisas pra trás.

(Trecho retirado dessa entrevista – em inglês)

E você aí? Esperando o quê? Junta azamiga, estufa o peito, pede ajuda no que for preciso e tira do papel aquele plano que você achou que nunca daria certo! Se você já toca algum projeto, muita força e continue assim. O mundo também é nosso! ❤